terça-feira, 10 de maio de 2011

Tratamento de cancer em animais de companhia

O serviço de oncologia veterinária oferece avaliação e tratamento de cães e gatos diagnosticados com câncer. Algumas opções de tratamento incluem cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapia imune, tratamento paliativo e manejo da dor.

Câncer em pequenos animais

Câncer é a causa mais comum de morte em pequenos animais com mais de 10 anos. Felizmente, com técnicas diagnósticas e de tratamento inovadoras, pets com câncer podem ter vidas longas e com excelente qualidade de vida.

Sinais de câncer em Animais de Companhia:

·Nódulos e massas (todo nódulo deve ser investigado)
·Feridas que não cicatrizam
·Emagrecimento progressivo
·Perda de apetite
·Sangramento de qualquer intensidade
·Dificuldade em comer ou beber água
·Cansaço ou relutância em exercitar-se
·Dificuldade em respirar, urinar ou defecar


Feridas que não cicatrizam podem ser um indício de câncer



Alguns nódulos estão presentes na pele do animal há muito tempo e sem crescer e os donos acham normais por estarem presentes por tanto tempo. No entanto, quanto mais cedo esses tumores forem removidos maiores as chances de controlar o câncer de pele em animais. Este paciente possía pequenos nódulos na bolsa escrotal que foram retirados cirurgicamente sendo diagnosticados como hemangiomas (cancer benigno de pele). Os canceres benignos não deixam de ser uma neoplasia, apenas tëm um potencial menor de se disseminarem a outras partes do corpo.




DIAGNÓSTICO


O diagnóstico deve ser feito através de citologia aspirativa ou biópsia do tumor, sendo avaliado por um médico veterinário patologista. As neoplasias em animais são diferentes dos humanos, portanto, uma biópsia veterinária nunca deve ser submetida a um centro diagnóstico humano. 
Citologia aspirativa guiada por ultrassom (utilizada em órgão abdominal ou lesões ósseas). 
Deve-se evitar fazer citologia aspirativa de massas únicas na cavidade torácica ou abdominal para evitar disseminar células neoplásicas no trajeto da agulha.


ESTADIAMENTO

É importante realizar o estadiamento do paciente antes de iniciar o tratamento para determinar a extensão da doença e avaliar a presença de metástases. Para isso é preciso fazer exames diagnósticos como hemograma, testes bioquímicos (função renal e hepática, albumina, entre outros), raio-X de tórax e ultrassom  abdominal para definir se a doença está localizada ou se já está avançada. A tomografia computadorizada é utilizada para visualizar a extensão do cancer em detalhes e planejar o tratamento cirúrgico ou radioterápico. 
Tomografia computadorizada

TRATAMENTO


O tratamento é escolhido de acordo com o tamanho da lesão e sua extensão. Algumas opções de tratamento incluem cirurgia com amplas margens para remoção do tumor, e quimioterapia para controle da doença microscópica. A radioterapia pode ser utilizada em casos de remoção incompleta do tumor ou em casos em que a cirurgia não é possível, como em casos extensos na maxila. Outras opções de tratamento incluem criocirurgia, eletroquimioterapia, terapia imune, tratamento paliativo (apenas para contenção do crescimento do tumor, mas sem eliminar a doença em si) e manejo da dor. 


Margens mínimas necessárias para remoção de mastocitoma em região perianal. Caso este tumor fosse um sarcoma de tecidos moles as margens necessárias seriam maiores, o que demonstra a necessidade de um diagnóstico antes do tratamento. Em casos em que a cirurgia não é possível, a radioterapia é indicada. 


Radioterapia aplicada em cão



QUIMIOTERAPIA

O tratamento quimioterápico é uma modalidade de tratamento sistëmica, enquanto a cirurgia e radioterapia são modalidades locais. A associação de um tratamento local com um tratamento sistëmico tem as melhores chances de sucesso. O tratamento quimioterápico utiliza medicamentos que são tóxicos às células e agem nas diferentes fases do ciclo celular. A quimioterapia funciona danificando as células cancerígenas que se multiplicam rapidamente. A maioria dos quimioterápicos afeta o DNA celular diminuindo a habilidade destas células de se multiplicarem e leva à morte celular. 

O tratamento quimioterápico é escolhido individualmente de acordo com cada caso, levando em consideração o tipo de tumor e sua biologia molecular (genética e comportamento celular) e o paciente que vai ser tratado. O tratamento pode variar entre algumas semanas a alguns meses. Pode ser aplicado diariamente, semanalmente ou a cada três semanas.
Estes medicamentos podem ser administradas via endovenosa (na veia) ou oral. Caso sejam medicações endovenosas é importante que sejam administrados com segurança e utilização de catéter (foto) para prevenir extravasamento e lesão perivascular.


 
O tratamento do câncer em animais compara-se com a medicina humana e os efeitos colaterais associados são menos severos. O objetivo da quimioterapia é prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida do paciente com câncer.

Quais os benefícios da quimioterapia?                             

1.      Quimioterapia é o tratamento mais eficaz para alguns tipos de câncer, oferecendo a melhor oportunidade para atingir remissão (quando o câncer é indetectável) enquanto preserva uma boa qualidade de vida. Um bom exemplo deste tipo de câncer é o linfoma, em que dependendo do tipo celular (B ou T) pode conseguir remissão em 90% dos casos. A maioria dos pacientes com linfoma que recebem tratamento quimioterápico usando protocolo intensivo (poliquimioterapia) estão vivos um ano após o diagnóstico (75%).

2.      Quimioterapia é recomendada após remoção cirúrgica de um câncer maligno para prevenir a recorrência local e impedir que este se espalhe (metástases). Exemplos são mastocitoma, neoplasia mamária, hemangiossarcoma e tumores ósseos malignos em cães.

3.      Quimioterapia pode ser usada antes da remoção cirúrgica para diminuir o tamanho do tumor e facilitar sua ressecção, terapia chamada citoredução.

4.      Quimioterapia pode ser utilizada em pacientes em que não é possível a remoção cirúrgica ou em casos que já sofreram metástases. Nestes casos o objetivo do tratamento não é a cura, mas melhorar a qualidade de vida do paciente (voltam a comer, caminhar e brincar).



Riscos e efeitos colaterais associados à quimioterapia

Os riscos associados à quimioterapia variam de acordo com o protocolo utilizado. Os quimioterápicos não são específicos às células cancerígenas e podem afetar outras células normais do corpo que também estão em rápida multiplicação.
Cães e gatos geralmente toleram a quimioterapia muito melhor do que os pacientes humanos. Perda de pêlo é rara em pequenos animais, sendo mais comum no poodle, yorkshire, schnauzer e shitzu e os gatos podem perder os bigodes. O pêlo volta a crescer após o tratamento.
Os efeitos colaterais mais comuns são vômito, diarréia, náusea, perda de apetite e toxidez à medula óssea, sendo esperado pelo menos um destes sintomas durante o tratamento. Oferecer alimentos mais palatáveis, aquecidos, ração úmida, alimentação caseira é uma boa tática para fazer o animal comer durante o tratamento.
Os glóbulos brancos são as células responsáveis por combater infecção e são produzidos pela medula óssea. Se a medula óssea for afetada pelo tratamento quimioterápico os valores sanguíneos dos glóbulos brancos podem cair, deixando o animal mais susceptível à infecção. Os glóbulos brancos são monitorados cuidadosamente através de um exame sanguíneo, antes de cada sessão de tratamento.
Os efeitos colaterais são aceitáveis frente aos benefícios do tratamento quimioterápico e são tratados de forma sintomática em casa ou com breve internação hospitalar.
Cada animal reage de uma maneira individual ao tratamento quimioterápico, sendo possível ter uma reação inesperada a um agente ou nenhuma reação a todo o tratamento.

Em caso de emergência

Cães e gatos que estão apresentando efeitos colaterais sérios posteriores à quimioterapia como diarréia e vômitos severos, letargia, fraqueza, febre e anorexia precisam de atendimento veterinário imediato.

Manejo dos quimioterápicos e dejetos animais

Todos os quimioterápicos devem ser manuseados com cuidado e nunca se deve partir ou amassar um comprimido, pois isto traz riscos à pessoa que está manuseando. Crianças e mulheres grávidas não devem administrar quimioterápicos e todo o lixo deve ser armazenado em sacos plásticos fechados. Luvas devem ser usadas ao administrar comprimidos ou durante a limpeza dos dejetos. Geralmente os quimioterápicos são excretados na urina e fezes durante as 48 horas após a aplicação.

Após o término do protocolo quimioterápico

Retornos periódicos para reavaliação são muito importantes para detectar o reaparecimento do câncer, antes que esteja em estágio avançado. As opções de tratamento e as chances de sucesso são maiores quando a doença está em estágio inicial. O retorno e estadiamento geralmente é feito a cada dois meses inicialmente, e a cada 6 meses posteriormente, mas pode ser feito em intervalos menores de tempo, caso o tipo de cancer seja agressivo e de rápido crescimento. 
O câncer raramente é curado totalmente, podendo haver recorrência do tumor posteriormente. Com o tratamento busca-se um período livre de doença, obtendo meses e até anos a mais de convivência com qualidade de vida para seu pet.



Dra Luana Torres
Médica Veterinária
 

11 comentários:

  1. Nota de esclarecimento:
    Infelizmente nao posso avaliar casos pela internet. Procure o seu veterinario ou o atendimento de um oncologista veterinario para avaliacao do seu animal pessoalmente. O veterinario apos o exame fisico ira avaliar exames diagnosticos como exames de sangue, radiografias, ultrassom, citologia aspirativa e/ou biopsia para determinar o melhor tratamento adequado ao caso especifico do seu animal. Este blog tem o objetivo educacional, e nao serve como servico de acessoria ou avaliacao de casos a distancia. Atenciosamente,
    Dra. Luana Torres

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  2. Boa noite,
    Gostava de lhe colocar uma questão, podem haver casos que não haja qualquer tipo de tratamento a fazer?
    Tenho amigos que estão numa situação muito complicada, com uma cadela de raça labrador, que lhe apareceu um tumor abaixo de um olho, junto ao maxilar, e tendo demorado algum tempo o diagnóstico, apenas acusou o TAC, e após o diagnóstico foi estimado o tempo máximo de vida de 3 meses, sendo que 2 já passaram...
    O vet. penso que não seja muito experiente, pois apenas disse não haver solução, apenas o abate ao fim dos 3 meses ou menos para evitar sofrimento do animal.
    Mas depois de pesquisar sobre o assunto e verificar o seu blogue, aprendi que existem várias soluções e pergunto até que ponto será incurável o tumor da cadela dos meus amigos...
    Cumprimentos,
    Nuno Neves

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  3. Ola Senhor Nuno Neves,

    Infelizmente nao posso avaliar o caso da cadela pela internet. Existem veterinarios especializados em tratamento de cancer animal podem oferecer mais opcoes do que um veterinario generalista, nao significando que ele seja inexperiente. Sugiro que seus amigos procurem um oncologista veterinario para avaliacao do caso pessoalmente. Existem opcoes de tratamento que serao indicadas pelo veterinario apos avaliacao do paciente, e exames de estadiamento. O tratamento sera escolhido de acordo com cada caso e o veterinario propoe diferentes opcoes para os proprietarios escolherem a que melhor se adequa ao animal e o quanto eles podem gastar, ja que tratamentos como radioterapia podem custar mais do que algumas pessoas estao dispostas a pagar.

    Atenciosamente,

    Dra. Luana Torres

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  4. Bom dia , tenho um gato que derivado a uma briga com outro gato ficou com uma ferida na patinha da frente . Já lá vão 6 meses e não cura , tem semanas que a ferida fecha mas derrepente volta a inchar e ele fica muito mal que fazer doutora ?

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  5. Bom dia , tenho um gato que derivado a uma briga com outro gato ficou com uma ferida na patinha da frente . Já lá vão 6 meses e não cura , tem semanas que a ferida fecha mas derrepente volta a inchar e ele fica muito mal que fazer doutora ?

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  6. Olá, tenho um chow chow femea (adotada) que passou por 3 quimioterapias e o veterinario disse que cessou o tumor na vulva. Estou preocupada pois faz 1 semana que ela fez a ultima quimio e tenho 4 cães. Há possibilidade de transmissao?

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  7. Bom dia
    Meu cão schnauzzer está com linfoma multicêntrico e reagiu muito mal à quimio, pois desenvolveu uma pancreatite severa devido à administração de cortisona, que é incluída no protocolo Madison-Wisconsin usado para ele. No momento, a quimio está suspensa para ele se recuperar dessa crise, pois a médica vet disse que a pancreatite poderia matá-lo antes de o linfoma matar. Minha pergunta é: Existe tratamento para o linfoma sem utilização de CORTICOIDE? Obrigada. Aguardo sua resposta.

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  8. Bom dia,

    Estou com uma cadelinha com TVT que não respondeu a vincristina e nem a doxorrubicina, existe algum outro tratamento??
    obrigada!

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  9. Preciso do tratamento de quimioterapia para minha cadelinha . Queria saber aonde vcs atendem e quanto é aproximadamente o custo desse tratamento. Desde ja agradeço

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  10. Dra. Luana, boa tarde!
    Parabéns pela riqueza de informações do blog e pelo trabalho desempenhado!
    Minha cachorrinha completa 15 anos este ano e sofreu metástase no pulmão (o câncer começou nas mamas). A quimioterapia surtiria algum efeito amenizador, considerando a idade dela?
    Obrigada!

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  11. meu cachorro da raça Pitbull, operou dia 08/04/14 cancer de pele e hoje dia 10/04/14 uma de suas patas amanhceu inchada, o que pode ser?

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