domingo, 12 de dezembro de 2010

Efeitos colaterais da quimioterapia em animais


Os efeitos colaterais da quimioterapia variam de acordo com o medicamento utilizado no tratamento, já que cada droga age de uma forma diferente farmacologicamente. A quimioterapia age nas células que estão se dividindo rapidamente (células do cäncer e células normais do corpo) em diferentes fases do ciclo celular. Por isso os efeitos colaterais mais comuns são vömito, diarréia, náusea, já que as células do sistema gastrointestinal se multiplicam frequentemente para reposição da mucosa. Esses efeitos colaterais leves acontecem em 25% de todos os pacientes tratados com quimioterapia e a maioria desses sinais pode ser tratada com medicações orais em casa. Apenas 1% de todos os pacientes precisam ser internados para tratamento dos efeitos colaterais graves (utilizando fluidoterapia e antibióticos). Os efeitos colaterais em animais tratados com quimioterapia são bem leves comparados com os efeitos colaterais em humanos, já que as doses aplicadas em humanos são bem maiores e o objetivo do tratamento é a cura completa. Em animais o objetivo da quimioterapia é prolongar a sobrevida mas sempre preservando a qualidade de vida.

Os medicamentos quimioterápicos também causam mielossupressão pelo mesmo mecanismo (atacam as células da medula óssea que se multiplicam rapidamente). Portanto, é importante fazer um hemograma antes de toda e qualquer aplicação de quimioterápico para avaliar se os números celulares são suficientes para que o paciente combata qualquer infecção que ele venha a adquirir em sua rotina normal. Também é importante repetir o hemograma em 7 dias para avaliação da leucopenia (número baixo de células brancas no sangue) e verificar a necessidade de antibióticos profilático e diminuição da dose na próxima sessão quimioterápica. 

O médico veterinário oncologista também escolhe os exames bioquímicos dependendo da droga a ser utilizada, de acordo com a farmacologia e forma de excreção. Se a droga é excretada pelos rins ou pelo fígado é necessário acompanhamento da função renal e hepática antes da sessão de quimioterapia. E um ecocardiograma e eletrocardiograma podem ser necessários antes do tratamento, caso a droga escolhida para tratamento afete a função cardíaca. 

A alopecia é a perda de pêlo em algumas áreas do corpo do animal. É comum a perda de pêlos após o tratamento quimioterápico em yorks, poodles, shitzus, lhasa apsos e outras raças de pequeno porte em que o tipo do pêlo tem crescimento contínuo. Em gatos é possível a perda dos bigodes. Em ambas espécies os pêlos voltam a crescer após o término do tratamento quimioterápico.






A Meg, uma york que passou por tratamento quimioterápico para o controle de um câncer mamário, apresentou rarefação e perda de pêlo em alguns locais (principalmente cabeça e face).



Dra Luana Torres
Médica Veterinária
 

Um comentário:

  1. Nota de esclarecimento:
    Infelizmente nao posso avaliar casos pela internet. Procure o seu veterinario ou o atendimento de um oncologista veterinario para avaliacao do seu animal pessoalmente. O veterinario apos o exame fisico ira avaliar exames diagnosticos como exames de sangue, radiografias, ultrassom, citologia aspirativa e/ou biopsia para determinar o melhor tratamento adequado ao caso especifico do seu animal. Este blog tem o objetivo educacional, e nao serve como servico de acessoria ou avaliacao de casos a distancia. Atenciosamente,
    Dra. Luana Torres

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